VERDES ANOS
 
Meus verdes anos repousam ali,
Naquela foto inerte e fria.
Foi um milagre indelével
A juventude que vivi!
Tão leve, tão segura… Só o tempo fugia…
Tudo ficou para lá do equador
No sonho que a memória insiste em repor.
Revivo hoje, cenas originais…
Como a dos rosados flamingos
Esvoaçando sobre infectos mangais,
Adormeciam de pé, no regaço
Do vasto lençol branco das salinas,
Já ébrios de prazer e cansaço.
Era a vida em plenitude, era o barco que parte
E deslizando… Se afastava com alguma arte
Deixando um cais triste para quem se despedia
E de lenço na mão que insistente se movia,
Sublimava a saudade que não resistia
À melodia azul da baía que nos fazia sonhar…
Numa idade adornada por pedaços de lua
Perdidos entre céu areia e mar,
Eram meus o horizonte sem limites da minha rua
E os afetos que o tempo não pode quebrar.
Só naquela foto inerte e fria,
Encontra repouso o meu olhar…
 
EGA/2007
 
(Dina Albuquerque)